quarta-feira, 28 de junho de 2017

novo de hilda

uma pesquisadora da ufms encontrou um poema até então desconhecido de hilda hilst, 


e o poema diz:

Fracassamos. Seremos os eterno fracassados.
Mas daqui a sete mil anos
abriremos as portas de todos
os claustros e lá nos encerraremos.
Seremos então os primeiros enclausurados
puros,
brancos,
mãos brancas, rosto branco
BRANCO - Ausência de amor.
Não haverá sinos em nossos campanários
(nem sinos, NEM AMOR)
qualquer luz em nossas celas
iluminará somente os livros
de quotidiana meditação.
Fomos improdutivos. Fomos estéreis.
Naufragamos no mar da compreensão.
Prostituímos ternamente as cousas
que só nós entenderíamos.
E nos tornamos eternos fracassados...
Não haverá sinos em nosso campanários
(nem sinos, NEM AMOR)
o tudo virou uma enxaqueca.

terça-feira, 27 de junho de 2017

~

doente de novo. 
acho que fazia alguns anos que eu não adoecia, e esse ano já foram duas vezes. 
tive uma dor de cabeça difícil ontem/hoje, e uma febre mais difícil ainda. acho que a última vez que eu tive febre, na vida, eu não tinha nem menstruado ainda. não lembrava como era ruim a sensação. 

já tô conseguindo existir de novo agora, mas esse mal estar atrapalha todo o plano e cronograma de estudo. acho que vou aproveitar pra só ler, hoje, porque provavelmente não vai rolar estudar, e vai trazer mais dor de cabeça. 

~
estou terminando o "você é minha mãe?", o quadrinho da alison bechdel, 
mas provavelmente vou reler uns pedaços assim que acabar. é muito denso e com muita intertextualidade. meu nível cognitivo não autoriza que eu só leia uma vez e entenda tudo.

comecei "as meninas", de lygia fagundes telles, e vou ler mais dele hoje. 
a forma de escrita desse romance é... deixa eu ver um adjetivo que não seja brega. não sei. eu ia dizer "fabulosa" ou "sensacional", ambos bregas. mas é o que me vem. 
depois transcrevo uns trechos aqui. 

~

comecei a ver o ep01 de "bates motel", achei pesado e desisti. 
vi o ep01 de "cara gente branca", achei ok e desisti. 

fiquei muito exigente depois de "please like me" e "the handmaid's tale". 

domingo, 25 de junho de 2017

:O

comentei com um amigo sobre esse quadrinho que tô lendo e gostando, o "você é minha mãe?", de alison bechdel.
ele não conhece a obra nem a autora, mas perguntou se ela é a autora associada ao teste bechdel.

eu não fazia ideia do que era isso:
em um quadrinho de alison da década de 70, ela põe uma personagem que diz que só assiste a filmes que satisfazem esses três requisitos: ter pelo menos duas mulheres; elas conversarem uma com a outra; sobre algo que não seja homem.

alison bechdel dá o crédito da ideia desse teste a uma amiga dela, liz wallace.


eu não fazia ideia de que esse teste existia.

tem até esse site com lista de filmes que satisfazem e não satisfazem os critérios do teste: http://bechdeltest.com/

e o teste tem sido aplicado a outras mídias também, como quadrinhos e video games.


quinta-feira, 22 de junho de 2017

(y)

o conforto e o estranhamento simultâneos de escrever diário num blog que não tem leitores.

é bom mas sintomático.



~e me sinto bastante com 13 anos de idade quando releio o que escrevo pelos dias.

:

com MUITA raiva (mentira to nao sei ter raiva nao) que ontem entrei no site pra preencher o formulário e reservar ingresso pra orquestra próxima quarta,
já tinha acabado o primeiro lote.
aí lá vou eu pra fila uma hora antes de abrir a bilheteria, próxima quarta-feira.

~
retorno à incapacidade de sentir raiva.

~
uma certa pena da minha terapeuta nessa sexta-feira,
que essa semana foi emocionalmente difícil, pesada, com retorno a estágios apáticos demais e difíceis de "mexer".
uma volta a um estágio em que pareço não me ajudar de propósito,
quando na verdade só estou sem conseguir isso mesmo.


~
acho que amanhã vou estudar só gramática.

~
desenrolei o outro trabalho longo/difícil de uma das disciplinas do doutorado,
vou fazer algo mais simples.
então talvez eu pegue uma semana aí direto só estudando pro concurso.

coloquei um aviso na minha porta "estudando, por favor não fale comigo", que na livre interpretação da minha mãe é "entra aí fica conversando aqui comigo por favor de preferência sobre coisas não importantes".

~
meu emocional precisa me ajudar.
uns dias muito punks que se passaram.

hoje

terminei um dos trabalhos finais das disciplinas de doutorado desse semestre. já enviado.
faltam só dois, que são enormes, ehhe.
um desses dois acho que vou modificar a proposta, e fazer algo que se aproveite pro trabalho que vou apresentar no congresso em agosto. já que é a disciplina justo de literatura comparada e ensino, vou comparar os dois contos da ditadura (o trabalho do congresso é esse). são os contos "o pelotão", de sérgio sant'anna, e "o general está pintando", de hermilo borba filho.

eu ia fazer algo mais complexo sobre personagens femininos, já aproveitando pra minha tese,
mas acho que não tenho bagagem ainda. e como tô estudando pra esse concurso, e ainda tem a disciplina sobre machado de assis, o trabalho pra fazer, no caso, não vou dar conta de fazer coisas boas.
e pra esse trabalho final da disciplina de machado tenho de reler dois dos romances!

~
meio confuso conciliar estudos pro doutorado e estudos pro concurso.
bom que eu gosto dos dois.
não é tão cansativo quanto estudar algo que não gosta.

~
ainda é muito desafiador organizar as ideias pro doutorado, estudar e sentir que me aproprio das teorias. tudo muito abstrato. é difícil "compartimentalizar", colocar as coisas em gavetas cognitivas. sei lá.
em psicologia isso era mais possível, eu acho.

~
conviver com bebês é um alívio pra sintomas depressivos.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

~

tem um momento aparentemente muito definidor do ciclo depressivo e difícil de convencer o outro de que ele é real sem parecer muito extremista, muito infantil ou carente de atenção,
que é uma convicção muito peremptória de que você não vai se sentir feliz novamente,
em nenhum momento daqui em diante.
é impossível racionalizar isso pra explicar como se chega até esse lugar/tempo,
e também é impossível racionalizar de modo a desmistificar, desfazer, e ir para um estágio mais esperançoso.
a referência parece boba mas me lembra muito a alusão feita em harry potter sobre a presença dos dementadores: você sente como se não fosse ser feliz nunca mais, se sente sem nenhuma esperança.

é bem pior que a apatia porque nela se sente pouco o tudo.
nesse estágio não existe o desespero nem iniciativa de nenhum tipo (boa ou ruim), mas a convicção é muito certa.
evidente que se o ciclo se esvair, se não tiver um fim ruim, se não ficar "pra sempre", essa convicção é revertida. mas enquanto ela permanece, enquanto está estabelecida, é algo fixo, até imanente,
e desaconselhável de conversar sobre.
as interpretações podem ser erradas, podem ajudar pouco.

quer dizer

sua mãe quer que você passe num concurso (ela só fala nisso)
você tá estudando pro concurso
ela não para de interromper
música clássica me dá uma certa angústia, às vezes.
outras vezes me dá muita angústia.

aparentemente, encontrei um erro conceitual importante no livro de fiorin explicando bakhtin.
ele inverte os conceitos de forças centrífugas e forças centrípetas da linguagem, em um momento apenas. depois "se contradiz", ou seja, fala o conceito corretamente.
mas mandei um e-mail pro professor, antes de escrever pro próprio fiorin. (tô pensando em fazer isso sim, já que é um conceito importante e complicado estar explicado de forma invertida; nem todo mundo percebe, ainda mais que o livro é ajudando a entender bakhtin).

na página 135, fiorin fala assim:
"a epopeia é a expressão das forças centrífugas que agem sobre a linguagem e, por isso, é monológica. o romance é a materialização das forças centrípetas e, por isso, é dialógico."
mas o inverso é o verdadeiro.

tanto que na página 138 ele enfatiza os conceitos:
"nas línguas, como já se disse, atuam forças centrípetas e centrífugas. aquelas buscam o fechamento, a unidade, a homogeneidade; estas, a abertura, a diversidade, a heterogeneidade. aquelas aspiram ao monologismo, estas buscam desvelar o dialogismo constitutivo."

~

preciso mandar apertar meus óculos.

~

comecei a ler o quadrinho "você é minha mãe?", de alison bechdel.
tô gostando do estilo.
ela lê e entende e comenta muito de psicanálise, de winnicott, de freud, e mais,
e isso só me lembra que eu deveria ler e entender e comentar com facilidade sobre esses assuntos também.
sempre que o assunto psicanálise surge as pessoas olham pra mim como se eu soubesse tudo sobre.
eu não faço a menor ideia de nada.

estável e não novo

insônia bem difícil 
um corpo quase besuntado de reparil, dores em diferentes lugares
gengivas sangrando novamente
menstruação antecipando não parando quase nunca

e uma baixa já estável no ciclo. 
senti umas dores no peito esquerdo também. mas acho que foi o esforço em respirar fundo com a dor nas costas.

~
o mais difícil da dor nas costas é que não consigo passar gelol/reparil sozinha, ou fazer compressa de gelo.
e massagem ou deitar no chão nem me adianta muito.

~
sonhei com gatos (três) querendo me atacar. e eu tenho um medo real de gatos. pra mim, eles podem atacar qualquer pessoa sem motivo aparente, e fazer um estrago real com dentes e unhas. 
era meio difícil. 
e as pessoas não acreditavam que eles iam fazer nada comigo, mas eu tinha certeza. 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

genial

no meu carro tem um cd de música clássica que o professor de latim deu a todos os alunos no último dia de aula de língua latina II (era também o último dia dele antes da aposentadoria compulsória),
acho que vou providenciar um DISC MAN pra ouvi-lo na biblioteca, estudando, tentando concentrar.




:)

mais de pardal


Parei, o coração sufocado. Tinha vontade de exorcizá-la: vai pras profundas, bruaca velha. Os seios murchos, os olhos cegos, a boca desdentada, os ovários secos, mas sempre chamando e esperando. Ela me provava a existência real dessa raça de mulheres que não se esquecem, que se agarram a uma ternura desesperada e sem futuro. E eu temia encontrar nela a minha imagem, e mevia dali a sessenta anos, voltando para todos os lados a minha cabeça de lagartixa velha: "João, ô João". 


~
- Marina, dizem que João está muito doente. 
- Não, é só um panarício - respondi. - Na caixa dos alfenins, eu vou lhe levando umas aspirinas. 
- Ele gostava de vir aqui às quintas-feiras - disse Açucena docemente. 
Louco por doces, João se sentava num tamborete ao lado do fogão e ajudava-a a fazer o puxa-puxa. Os fios brancos e viscosos do alfenim se esticavam entre as suas mãos, de uma palma a outra - clara sanfona. E ele mesmo ficava com cheiro de calda queimada. Eu sempre identificava aquele aroma com o do meu amor: nem suor nem esperma, apenas o odor inocente do açúcar. 

~

- Ele não deu um pio, mas ficou com as vistas molhadas. A bem dizer, os olhos choraram sozinhos.


(o pardal é um pássaro azul,
heloneida studart,
1978)

~

consegui uma sequência de horas na biblioteca setorial hoje, sem adormecer, já que era de tarde.
mas foi bem difícil de concentração hoje. até porque tava bem cheio lá.

jurei que ia estudar mais quando chegasse em casa, e tava disposta, realmente, mas papai veio aqui e ficamos pela sala até mais tarde. e agora tô semporsento apática e já com fome de novo.
mas acho que vou terminar de sublinhar umas coisas no romance de heloneida que tô relendo, prum trabalho final de disciplina do doutorado.

~
praticamente de férias de aulas.
mas há trabalhos finais trabalhosos a entregar.
no doutorado, acabam as aulas, e os prazos de entregar trabalhos são quase até o início do próximo semestre :O

~
saí do trabalho.
não dava pra conciliar mais a graduação com doutorado com concurso com editora.
mas ainda tem dois projetos da editora que tenho que ir até o fim.

~
significa também que não estou aceitando frilas de revisão até fim de setembro.
(como se bombassem na minha caixa de entrada)

~
ontem fiz cookies
mas dessa vez não ficaram tão bons.

também assisti "adultos inexperientes" na netflix. gostei. :p
(é "na netflix" ou "no netflix"?)

~
hoje de manhã tinha quase ninguém no supermercado, foi ótimo,
(devia ta todo mundo na biblioteca setorial já)

domingo, 18 de junho de 2017

vdc

passei parte considerável do meu domingo organizando um horário de estudo de meses pra um concurso;
o mais desesperador é que eu provavelmente não vou conseguir seguir, porque nunca consegui cumprir horários de estudo,
e vale dizer que eu fiquei cognitiva e emocionalmente cansada quando terminei.

"terminei".

certeza que vou fazer um monte de ajustes ainda.
mas já deu pra organizar bastante coisa.
fui digitar no medium.com um texto que escrevi manuscrito ontem
meudeusdocéu
eu preciso parar de escrever.
tá muito ruim o negócio.

segue sem melhora.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

hoje

sigo me esforçando pra parecer erudita até que um dia eu chegue ao ponto de realmente ser.
fui assistir a um recital de piano na escola de música hoje.

na volta vim ouvindo anitta, despacito e maroon 5. na rádio.

~

amanhã tenho a intenção real de tomar banho de mar,
mas parece que chuva vem.

~

mais raiva hoje.


e amanhã nem tem academia aberta pra usar o saco de pancadas.

~

tomando chá de erva doce comendo cookies assistindo punky.

terça-feira, 13 de junho de 2017

memorial de aires

17 de maio
vou ficar em casa uns quatro ou cinco dias, não para descansar, porque eu não faço nada, mas para não ver nem ouvir ninguém, a não ser o meu criado josé. este mesmo, se cumprir, mandá-lo-ei à tijuca, a ver se eu lá estou. já acho mais quem me aborreça do que quem me agrade, e creio que esta proporção não é obra dos outros, é só minha exclusivamente. velhice esfalfa. 



18 de maio
rita escreveu-me pedindo informações de um leiloeiro. parece-me caçoada. que sei eu de leiloeiros nem de leilões? quando eu morrer podem vender em particular o pouco que deixo, com abatimento ou sem ele, e a minha pele com o resto; não é nova, não é bela, não é fina, mas sempre dará para algum tambor ou pandeiro rústico. não é preciso chamar um leiloeiro. 
vou responder isto mesmo à mana rita, acrescentando algumas notícias que trouxe da rua, - a carta do tristão, por exemplo, os agradecimentos do barão à filha, e esta grande peta: que a viúva resolveu casar comigo... mas não; se lhe digo isto, ela não me crê, ri, e vem cá logo. justamente o que não desejo. preciso de me lavar da companhia dos outros, ainda mesmo dela, apesar de gostar dela. mando-lhe só dizer que o leiloeiro morreu; provavelmente ainda vive, mas há de morrer algum dia. 



(narrador conselheiro aires,
livro memorial de aires,
por machado de assis)

segunda-feira, 12 de junho de 2017

mais heloneida studart

uma frase dela que consta nesse artigo sobre sua produção artística e também política:

A família toda passava as férias numa casa de praia em Iguape. No caminho parava num boteco pé-de-chinelo para tomar café com broa onde tinha um cartaz na porta: "Mulher aqui só diz três coisas: 'Xô, galinha', 'Entra, menino' e 'Sim, senhor'". Fiquei muito impressionada com isso. Outra frase que me deixou profundamente revoltada era de minha tia solteirona: "Heloneida, fique certa que mulher não tem querer". Eu tinha 7 anos e resolvi que ia passar a minha vida mostrando que mulher tinha querer sim!

~

~

escrever em blog que não tem leitor é a sensação de falar muito sozinha sendo isso considerado bastante saudável.
(que eu considero que seja mesmo.)

o pardal é um pássaro azul 02

esse romance de heloneida faz parte, junto com outros dois publicados por ela entre 70 e 80, do que ela mesma chama de trilogia da tortura. nesse daqui, o personagem de joão é preso por pichar nos muros da cidade que "o pardal é um pássaro azul". sua prima marina é apaixonada por ele, mas recolhe-se nisso, porque joão é homossexual e só a corresponde com amizade.
ela visita-o semanalmente na cadeia, e tenta ao máximo a melhor articulação para que ele saia logo da prisão.

apesar desse plot, o livro é muito permeado pelo discurso sobre o patriarcado, o universo feminino, a sociedade machista nordestina (o romance se passa no ceará, estado da autora), os preceitos cristãos e morais que envolvem o papel social da mulher, etc. na minha primeira leitura, isso ficou muito mais forte do que qualquer menção à ditadura militar, à tortura, às injustiças cometidas contra civis por militares naquela época.

uns trechos,

- dalva ou eu poderíamos nos encarregar do discurso de agradecimento, mas em nossa família mulher não falava em público: "mulher não tem querer", dizia vó menina. "nem negro, nem pobre". (p. 13) 

- quando eu quis ingressar na faculdade para fazer o curso de biblioteconomia, mamãe me suplicou, com lágrimas nos olhos: - minha filha, não vá estudar, roçando perna com homem... afaste de mim esse cálice. (p. 22)

- antes, vó menina comandara uma campanha vitoriosa contra o meretrício, ajudada por padre jacinto e pelo jornal católico a trombeta. fora ela que conseguira retirar as prostitutas dos seus sobrados com placa na porta, para atirá-las a um bairro de casinhas baixas na praia, onde viviam azucrinadas pelo vento excessivo e pelos apitos dos navios. (p. 27)

- - não tem lelê nem loló. só ouço aqui a opinião de minha neta marina, que é como eu, farinha do mesmo saco. não usa tinta na cara, não dá faniquito, nem corre atrás de homem. que é que você acha, marina?

o pardal é um pássaro azul

Até hoje não sei como o amor começou. No tempo em que eu vivia trancafiada na biblioteca municipal, roendo letra de livro, gostava de inventar teorias sobre isso. Hoje, não sei. Está tudo ligado a um sonho que me surgiu quando eu andava pelos dezoito anos. Eu estava subindo uma das dunas de Jaçanã, um daqueles morros de areia fina e frisada, onde João e eu costumávamos rolar, aos trambolhões, montados em palhas de coqueiro. No topo, sério e triste, ele parecia esperar alguém. Ao me ver, retirou a mão direita do pulso como quem retira uma luva - e me entregou aquele fragmento sangrento. Eu recuei, tremendo, querendo recusar, Uma mão era muito pouco, uma palma dessangrada, dedos magros, um despojo funéreo. Mas ele insistia, com tanta tristeza, com tanta gravidade - Você não me quer mais bem, Calunguinha? -, e eu lhe via as cartilagens descobertas do pulso mutilado. Acabei aceitando a mão. Soluçava e queria atirar-me em seus braços. Amava-o. Quando acordei o amor não passou mais, já não espero que passe.


(pág. 17)
(romance de heloneida studart)
(1975)
já três vezes em dez dias que sonho com banho de mar no pé do morro do careca.

quinta-feira preciso resolver isso.

~
também quinta-feira preciso resolver a vontade de assistir à mulher maravilha.
não tô fazendo uso da meia entrada com minha carteira de estudante.

agora

meus amigos nesse momento em suas casas próprias cozinhando jantares comemorando o dia dos namorados falando em filhos e política brasileira ou móveis novos pro apartamento.

eu estou comendo cuscuz enquanto assisto a punky a levada da breca.


achei coerente.
e tá tudo bem.

domingo, 11 de junho de 2017

hj

"laerte-se" é um documentário lindo. despretensioso e inteligente, igual a ela.

eliza me recomendou o "she's beautiful when she's angry", sobre feminismo. vou assistir logo que der.

~
não tenho dor de cabeça por excesso de cafeína,
mas estou com dor de cabeça por excesso (duas canecas) de chá de camomila.
e nenhum sono apesar de tarde, apesar de ter que acordar logo cedo amanhã.

~
acho que "little broken hearts" é o melhor disco de norah jones.
ouvir pra escrever é ótimo.

~
fez dois anos que lancei meu segundo livro. "em fim, nós".
penso se minha escrita evoluiu alguma coisa de lá pra cá.
acho que só ficou diferente. não necessariamente evoluindo.

~
parei de novo de tocar violão.
sem ânimo outra vez.

eu deveria pelo menos imprimir novas cifras e deixar lá.

~
paradoxalmente
quase decidida a tatuar um violão.

identificar adeuses

sempre fui ruim nisso, pelo menos até hoje tenho sido bem ruim nisso,
em lidar com fins, identificar fins, adeuses, aceitá-los, não questionar e só lamentar. demoro excessivamente pra entender o que acontece e por quê. fico um tempo ainda mais excessivo no por quê. tento interpretar os sinais e eles dizem coisas contrárias.
não sei se isso é mais particular ou genérico, mas não acho que a gente seja muito preparado pra isso. pra lidar com fins. especialmente pros fins que são fracasso. eu lido bem com fracassos de vários tipos, mas esse ainda não.
e aí demora a se perceber e entender que vezes várias é necessário ouvir a despedida sem que ninguém efetivamente o faça,
sentir fins que não se colocam claramente mas que se anunciam mesmo assim.
e deixar de lado pra conseguir seguir em frente. ou pelo menos tentar.
conseguir já não dá pra prever.

mas muito doloroso ainda.

brigitte

a brigitte bardot está se desmanchando
e os nossos sonhos querem pedir divórcio.
pelo mundo inteiro
milhões e milhões de sonhos
querem também pedir divórcio
e a brigitte bardot agora
está ficando triste e sozinha.

será que algum rapaz de vinte anos
vai telefonar
na hora exata em que ela estiver 
com vontade de se suicidar?


(tom zé - brigitte bardot)

fin de

- terminei de ler "o pardal é um pássaro azul"
- ainda não terminei "esaú e jacó"
- não comecei "as meninas"
- mas comecei "dinâmica de bruto", um quadrinho que aureliano me emprestou ontem
- consegui baixar legenda pra um episódio de the handmaid's tale sozinha
- consegui baixar um episódio de the handmaid's com legenda
- já assisti a eles
- comprei livros pro doutorado na estante virtual (três de heloneida studart), e eu tava enrolando nisso faz tempo
- comprei a senha pruma festa dia 24 de junho (também tava enrolando nisso) :p
- tive uma ideia ok pro trabalho final de uma disciplina, que é pra levar quarta-feira, acho que já dá pra começar a escrever hoje
- fiz inscrição prum edital de bolsas, consegui mandar toda a documentação hoje.


acho que tá sendo produtivo o fim de semana, uns 73% produtivo :)

semana

tomando com urgência decisões que são antigas.


fingindo que não havia se decidido ainda, mas a decisão já estava clara há bastante tempo.
uma precisou ser efetivada,
a outra bastou ficar clara dentro da minha cabeça, sem atitudes de depois. as circunstâncias nem pedem.

a do tipo I aliviou e deixou tudo melhor,
a do tipo II aliviou sem fazer bem, necessariamente.

mas segue o baile do tô mal mas tá tudo bem.

~


um banho frio pra lavar o cabelo e tom zé pra tocar mais vez.
daqui a pouco meditar e chá.
~
:(((

sexta-feira, 9 de junho de 2017

carta de recomendação

faz dias que meu orientador demora pra me mandar uma carta de recomendação, sempre com e-mails "vou mandar, amanhã, depois de amanhã, etc", e até agora nada.
deve estar procurando elogios cabíveis pra me recomendar a alguém sem se passar por muito mentiroso.

não o culpo.

fim de,

terminar de ler esaú e jacó,
terminar o pardal é um pássaro azul,
começar memorial de ayres,
começar as meninas, de lygia fagundes telles,


conseguir ser uma independente digital e me esforçar pra fazer as coisas sozinhas no computador.
hoje tive de pedir novos favores. :|

história

uma das coisas que me arrependo um pouco todos os dias é de não ter estudo muito história, tanto no colégio como hoje em dia. acho que é uma disciplina que a gente deveria ler sempre, estudar sempre, mesmo que com pouca dedicação, mas estudar sempre.
história tem muito detalhe e muito movimento em todas as épocas, em todos os espaços. é difícil guardar tudo. e é preciso relembrar esse tudo pra compreender qualquer espaço-e-tempo.
dá trabalho.

é impossível fazer uma pesquisa sobre a literatura na ditadura sem estudar história profundamente. e é difícil estudar história por si só, sem aulas, para atingir esse nível de profundidade. para conseguir uma compreensão satisfatória. porque as informações sempre em detalhes e sempre em texto se perdem na memória pouca.

acho que meu horário de estudo amanhã, o de depois da psicóloga, vou usar pra isso. e vou acrescentar mais horários ao longo da semana pra estudar só história, principalmente brasil e américa latina.
a gente estuda quase nada de história da américa latina na escola,
e agora eu querendo estudar a literatura nas ditaduras, pensando em várias coisas, sinto falta disso porque faço zero ideias de um tudo que aconteceu por lá.

semestre que vem ainda terei matrícula da graduação (último semestre), e acho que vou tentar alguma disciplina em história, se tiver algo parecido com isso que preciso. faz falta.
saber história faz falta (sempre).

quinta-feira, 8 de junho de 2017

a incapacidade de climatizar o quarto
abre fecha a porta
abre fecha a janela
liga desliga o ventilador
se ficar frio* vai dar sono se ficar quente não concentra pra estudar etc



*sinto frio em natal
quatro banhos por dia
numa média boa. :)
o último sempre morno
antes de meditar e tomar chá,
~

talvez um pouco de tom zé, mas tenho páginas acadêmicas a escrever com urgência média.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

querer

mais tempo livre pra voltar pro pilates e voltar a estudar alemão.

mesmo que fosse pouco de cada,
ia ser tão bom.

~

uma bolsa de doutorado e eu resolvia 200% das confusões práticas que tenho hoje, de horários e vontades.


~

agora e daqui a pouco: ouvir norah jones e tentar escrever.

hojes

fim de tarde / início de noite segue sendo melhor horário possível pra estudar na biblioteca,
principalmente na setorial.
problema mesmo é só a setorial ser longe de café, mas ok.

~

preciso urgente dum hd externo (faz anos que preciso urgente de um)

~

quase terminando o livro "o pardal é um pássaro azul", de heloneida studart;
ele fica bem atrás do "torturador em romaria", o terceiro da trilogia da tortura. não é tão bom não.
tenho de comprar, de novo, o "estandarte da agonia", que se perdeu nesse tempo de greve do correio. acho que não vou nem atrás, porque foi muito barato, e sinceramente depois de uma greve dessas, acho difícil que eu consiga rastrear e ter o livro comigo.
além disso, tenho que comprar um novo exemplar de "torturador em romaria", que veio uma edição faltando trinta páginas! (já disse isso aqui)

~

um curso no senac que instrumentalize o download de séries, filmes e legendas.

~
tá sendo uma semana bem produtiva, surpreendentemente. hoje dei conta de várias coisas finais do estágio e do trabalho, também.
não sei até quando vou conseguir conciliar trabalho com doutorado e com graduação, já que semestre que vem eu pago estágio III e IV.
já tomei uma decisão na minha cabeça mas na vida prática a decisão não cabe agora.
aí ser adulto parece que é isso.

~
ser adulto também inclui se programar de ir no supermercado comprar biscoito passatempo, que acabou por aqui hoje.

terça-feira, 6 de junho de 2017

de novo

depois de alguns ciclos repetidos e repetitivos fica mais simples antecipar quando uma baixa no humor acontece de novo. não fica mais fácil de enfrentar, na verdade fica até mais cansativo, mas pelo menos não existe mais o susto.
fico me perguntando até quando isso vai se acontecer,
fico me perguntando até quando eu vou conseguir antecipar,
até quando eu aguento o lidar só com a ajuda de mim mesma e da terapia.
mas cada antecipação me faz lembrar como já estou cansada, também, do ciclo querer se instalar e eu me esforçar pra impedir. parece que o esforço é inclusive físico. eu sinto um peso concreto por dentro do peito, quase toda vez.
e nessa contradição de, cada vez mais, tornar-se mais ciente de todas as etapas do processo, mais senhor de si e ciente do próprio ciclo, também ficam as energias cada vez menores e se esgotando mais rápido.
uma baixa bem pequena já dá muita vazão à apatia e à vontade de solidão. a uma desistência antecipada, um boicote.

fico fazendo planos de ir logo morar sozinha e me pergunto se isso vai ser bom, até que ponto pode ser bom,
sigo acreditando que sim. talvez importante me programar mais objetivamente pra isso. é pelo menos um plano que movimenta o sentido dos dias.

~

talvez sejam necessários mais banhos de mar e mais minutos de meditação,
e treinar mais e pensar menos.
talvez seja necessário pensar um pouco menos, pra sentir um pouco menos.
a questão é efetivar esse objetivo. pensar de menos.

~

escrever criativamente tem feito falta, mas parece que ando vazia demais pra isso, sem ideias, sem ponto de partida.
o cansaço atingiu esse lugar que era mais meu antes.
e tem tanto escritor fazendo sua parte, já, que me deixo ficar aqui em 2003 no blog diário.

li e não lembro de nada (se amostrando)

não lembro de tudo ou não lembro de quase nada ou não lembro de nada mesmo,

- do amor e outros demônios (gabriel garcía márquez)
- famílias terrivelmente felizes (marçal aquino)
- o filho da mãe (bernardo carvalho)
- the preacher (garth ennis)
- sandman (neil gaiman)
- monstro do pântano (alan moore)
- Y, o último homem (brian k. vaughan)
- o filho de mil homens (valter hugo mãe)
- memórias de minhas putas tristes (gabriel garcía márquez)
- sargento getúlio (joão ubaldo ribeiro)



e deve ter bem mais.

sérios problemas de memória e/ou falta de atenção, e, o pior deles, falta de vergonha na cara de dizer que "li, mas não lembro de nada, mas esse livro é massa" etc.

menina a caminho

"Piedade pra tua mulher, Zeca, piedade!"

"Quem é que te ofendeu?" "Quem é que me ofendeu?"

Deitada de bruços no chão do quarto, os braços avançados além da cabeça, os punhos fechados em duas pedras, a costureira recebe as cintadas c'uma expressão dura e calada, só um tremor contido do corpo seguindo ao baque de cada golpe. Sua boca geme num momento:

"Corno" diz ela de repente, de um jeito puxado, rouco, entre dentes. 

O Zeca Cigano endoidece, o couro sobe e desce mais violento, vergastando inclusive o rosto da mulher. Uma, duas vezes. 

A vizinha se atira contra ele: 

"Você está louco, Zeca? Piedade! Piedade! Piedade!" suplica aos gritos, mas é repelida c'um safanão no peito. 

A mão já no ar, o Zeca Cigano prende o novo golpe, vendo com súbito espanto a boca da mulher que sangra. Encolhida na parede, a vizinha afunda a mão pelo decote e puxa o terço, correndo as contas com os dedos trêmulos enquanto chora. O silêncio ali no quarto suspende por um instante o gemido das crianças na saleta. O suor escorre no pescoço do Zeca Cigano, no torso nu e nos músculos fortes do braço. Atira a cinta num canto, deixa o quarto, passa pela saleta, atravessa a cozinha e pára no patamar da escadinha, voltado de frente pro quintal, o barracão abandonado nos fundos.

Sentada, os pés empoleirados na travessa da cadeira, o irmão pequeno choramingando no colo, a menina observa o pai no patamar, de costas, as mãos na mureta, a cabeça tão caída que nem fosse a cabeça de um enforcado. A menina também vigia os movimentos da vizinha se agitando da cozinha pro quarto, aplicando emplastros de salmoura nos vergões da mãe deitada. 

Quando a casa se acalma, a vizinha deixa o quarto encostando a porta com cuidado. Na saleta, ergue do chão o pirralho sem calça, envolve-o no colo, toma pela mão a menina mais nova, procura ainda pela menina mais velha, mas a porta do banheiro está trancada. Não espera e sai com as duas crianças pela porta da frente. 

No banheiro, a menina se levanta da privada, os olhos pregados no espelho de barbear do pai, guarnecido com moldura barata, como as de quadro de santo. Puxa o caixote, sobe em cima, desengancha o espelho da parede, deitando-o em seguida no chão de cimento. Acocora-se sobre o espelho como se sentasse num penico, a calcinha numa das mãos, e vê, sem compreender, o seu sexo emoldurado. Acaricia-o demoradamente com a ponta do dedo, os olhos sempre cheios de espanto. 

A menina sai do banheiro, anda pela casa em silêncio, não se atreve a entrar no quarto da mãe. 

Deixa a casa e vai pra rua, brincar com as crianças da vizinha da frente. 



final do conto "menina a caminho", de raduan nassar.

creep

~
i want you to notice
when i'm not around
you're so fucking special
i wish i was special

...

whatever makes you happy
whatever you want
so fucking special
i wish i was special

but i'm a creep
i'm a weirdo
what the hell am i doing here?
i don't belong here
i don't belong here

~

:)

julio disse que meu blog é isso aqui https://www.youtube.com/watch?v=DZD8ShKdaac&spfreload=5


porém faltando os patrocínios.

~

um excesso de roupas cinzas
até a lingerie tem sido cinza também.

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um nível de dependência que na terça tô pensando na terapia que é só sexta.
mas acho isso mais saudável que toda segunda reclamar que é segunda e toda sexta comemorar que é sexta dizendo "sextou".

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um certo vício em lavar louça, tomar banho, e lavar o cabelo.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

som da chuva pra meditar.


e uma raiva que vez em quando eu deveria me permitir sentir.

hoje

hoje gastei horas longas e cognição demais tentando escrever e-mails em inglês e organizando alguns documentos acadêmicos.
quer dizer
os oitenta anos de ccaa e as quatro semanas naquela escola cara em dublin foi só meu pai gastando dinheiro comigo mesmo, 
que meu inglês serve pra nada quando preciso dele. 

~

recebi mais um trabalho de revisão pra antes de ontem, 
que o que pensam do revisor é que ele só faz isso mesmo da vida e taí pra revisar tudo pra semana passada e entregar bem bonito. 
mas tá. 
espero que o frila se pague rápido, pelo menos. 

~

sexta passada foi bom, bem bom, estudar na biblioteca, 
consegui ter alguns insights e boas ideias enquanto lia e estudava. anotei. organizei. mandei e-mail pro orientador. (gastei um tempo nisso também hoje, mas pelo menos meu orientador fala português). 

~
eu tinha uma viagem esse fim do mês pra alemanha, 
agora desmarcada já que era uma lua de noivado de um noivado que não existe mais. 
faz falta não ter uma viagem em vista, porque antes dessa eu tinha me preparado um bom tempo pra passar um mês em berlim, e antes de berlim eu tinha tido outras viagens que levaram tempo de preparação também. montevidéu. dublin.
por ora só me preparo pra ir pra brasília ver a sobrinha que nasce mês que vem, 
mas fico cogitando novas viagens pra planejar e ir. 
espero que essas longas horas de e-mail em inglês rendam isso. quem sabe. 

~
meu livro tá inscrito no prêmio oceanos de literatura. 
não custa nada sonhar, né. 

estou há alguns dias sem meditar e já ficando ansiosa novamente. 
precisa colocar as coisas no lugar pra voltar pro eixo equilibrado de tô-mal-mas-tá-tudo-bem. 


acho que sigo assim - e por ora, olhando pra trás, isso é algo a comemorar.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

mikhail

Se não se pode estudar a literatura isolada de toda a cultura de uma época, é ainda mais nocivo fechar o fenômeno literário apenas na época de sua criação, em sua chamada atualidade. (...) Quando tentamos interpretar e explicar uma obra apenas a partir das condições de sua época, apenas das condições da época mais próxima, nunca penetramos nas profundezas dos seus sentidos. (...) As obras dissolvem as fronteiras da sua época, vivem nos séculos, isto é, no grande tempo, e além disso levam frequentemente uma vida mais intensiva e plena que em sua atualidade. 


(...) uma obra não pode viver nos séculos futuros se não re´´une em si, de certo modo, os séculos passados. Se ela nascesse toda e integralmente hoje (isto é, em sua atualidade), não desse continuidade ao passado e não mantivesse com ele um vínculo substancial, não poderia viver no futuro. Tudo o que pertence apenas ao presente morre juntamente com ele. 




(Mikhail Bakhtin, Os estudos literários hoje - Resposta a uma pergunta da revista Novi Mir)
Texto dos anos 1970.
Fizeram uma pergunta e em resposta ele escreveu um ensaio.

E o que ele chama de ensaio na verdade são LIVROS hoje publicados pela editora 34.
~

quinta-feira, 1 de junho de 2017

leio meus posts e sigo impressionada o quanto ainda sou adolescente.
meu deus do céu.

bom mesmo

é estudar sem horário pra terminar nem relógio por perto nem gente em casa.

só tô muito lenta, ainda, demorando muito pra ler/anotar pouca coisa. e termino achando que tenho que repetir aquele texto outras vezes pra poder considerar que sei, de verdade, sobre aquilo.
ainda mais com bakhtin.
antonio candido, então, vou querer ler o mesmo livro umas quinze vezes, pra ficar mais crente de que sei.

a eficiência do estudo ainda não tá tão grande, mas a disposição e vontades estão. acho que vai melhorar. :)
ainda me sinto meio perdida em estudar tanta coisa tão abstrata, que são as teorias literárias, a crítica literária, não era pra eu estar nessa vibe ainda, depois de meses dentro do doutorado. espero ter isso bem resolvido, comigo, até julho no máximo. detesto essa sensação contínua de 'sou tão abestalhada que não consigo entender muito bem nenhuma teoria literária ainda, coitada de mim etc'.

espero que role uma bolsa, também, em breve. tem chance de aparecer nova cota a partir de julho.

~

acho que prefiro ouvir symphony x versão estúdio a ouvir versão ao vivo.

~

comendo lactose e passando mal
(de parabéns).

mas meditando praticamente todos os dias.
e esse fim de semana vai ter praia e banho de mar,
:)

no que fica

hoje no estágio, que faço/fiz roda de leitura com adolescentes cumprindo medida socioeducativa,
lemos "feliz ano novo", de rubem fonseca, e conversamos em seguida.
hoje só tinham dois meninos; normalmente são quatro.
mas foi bem bom.

foi uma experiência massa, o estágio.
fiz só cinco encontros com eles, cinco rodas de leitura,
lemos wander piroli, anna zêpa, victor rodrigues, cidade de deus, rubem fonseca,
e também assistimos a vídeos de slam e de racionais.

eu sempre fui com pouca expectativa porque sei que literatura, numa primeira vista, é pouco atraente, e sei que as pessoas são mais frequentemente tímidas do que extrovertidas, especialmente em contextos assim.
eles falavam pouco, mas falavam,
diziam pouco de si, mas diziam,
chegaram a comparar contos e se indignar com trechos de histórias.
também deu pra falar abertamente de violência, marginalização, homossexualidade, policiais, drogas, duma forma aparentemente superficial mas que confio que, só por ter acontecido, já foi grande.

é possível que eu fique sem esperanças algum dia, mas ainda acredito muito na arte e na literatura,
no que elas podem fazer pelas pessoas, pela educação, pelo mundo.
é brega mas é verdade.
:)
dois dias consecutivos que tento pegar um ingresso pra apresentação gratuita da orquestra e não consigo.
tentei ser culta porém não foi possível

segue a vida no netflix.

~
a propósito, assisti a cinco episódios de the handmaid's tale,
e que série massa. me pego pensando nela algumas vezes durante o dia.
rende muita reflexão. mais reflexão que discussão. (sim, eu separo essas duas coisas. e acho bem saudável essa separação.)
um estado psicológico resumido a tô mal mas tá tudo bem,
uma vida resumida a doutorado e kung fu.