terça-feira, 25 de julho de 2017

já hoje

há pouco ~reassistindo kung fury pra poder fazer a resenha que júlio pediu.
em trinta minutos acontecem coisas que dariam quarenta diferentes filmes.

~

li esse link hoje sobre disciplina para escrever, estratégias, etc, e acho que uma coisa que vou tentar um pouco é tomar algumas notas no caderno antes de dormir. quando o pensamento tá mais desprendido, sem freio e tal. se não servir para escrita futura, acho que pode ser bom em fazer isso. não sei, imagino que sim.

~

terminei um dos trabalhos de disciplina do doutorado,
fiz o ppt do trabalho que vou apresentar no congresso mês que vem,
mandei para os respectivos professores isso daí.
achei até produtivo.

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minha inscrição no concurso do if está ok,
esqueci de olhar o diário oficial hoje,
treinei de manhã,
não li hoje,
o dia começou bem difícil mas deu pra ir levando. mas é ainda muito desafiador lidar com a ideia permanente de falta de perspectiva, de ir fazendo "o que tem pra fazer hoje" mas só por fazer. segue sem sentido.

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o almoço no vegetariano hoje tava muito muito bom. muito bom.

fetichização do frila

júlio me pagou uma fortuna de dinheiros pra eu escrever uma resenha de kung fury que só ele vai ler
8 reais
no caso um frila

;

quando eu disser que depois do almoço "estava trabalhando" será verdade será por isso.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

"eu não gostei de como as coisas terminaram."
"eu não gostei de elas terem terminado."

pois

um dia quero voltar a ser feliz nível feliz de hanna comendo melancia
juro como quero
todo dia tendo de consultar o diário oficial de municípios e fico impressionada com a existência de humanos cujo trabalho envolve escrever coisas burocráticas e chatas e quadradas assim. mddscéu. TODO DIA isso.
~

por onde anda o lobo de jon snow? não lembro a última vez que ele apareceu.

~

eu deveria estar terminando o trabalho do doutorado mas tô exercitando o sofrimento desde o fim da tarde e pensando besteiras muitas e só uma ou outra coisa séria.

~
não sei se amanhã de manhã eu treino ou vou pro mar.

~
eu deveria assistir a mais filmes. deveria mesmo.

meu notebook que não chega do conserto :(

perspec

pensar o estágio deprimido como fundo do poço me parece errado. mais correto pensar que é um poço sem fundo. 
sem fim, uma queda constante. 

é difícil começar uma semana assim, e acho que tenho de repensar sobre medicamento outra vez. não sei se vale resistir um pouco mais, se tô exagerando ou se tá certo mesmo de ir. sinceramente mal consigo saber.
mas de fato cada baixa tem sido disparada por acontecimentos que poderiam ser detalhes, e não são. e em cada baixa dessas eu tenho a sensação quase nítida de que meu corpo não aguenta muito mais; falando concretamente, em aspectos físicos mesmo. parece que ele tá exausto, e tá mesmo. vem desde janeiro isso. 

e termina que tem dias que fico me perguntando até quando vou estar assim, se num sempre, se sempre vou ter de me preparar pra isso ou de conviver com isso. eu olho pro futuro e nem vejo futuro. antes eu olhava sem esperança, agora olho sem perspectiva, como se ele não viesse a existir. e aí fico me perguntando se sinceramente vale a pena continuar estando assim. se vale a pena continuar vivo se não se consegue ser feliz, por mais que tente. 

parece que as possibilidades esgotaram e eu sinto isso numa mistura terrível de angústia e desespero, mais do primeiro que do outro. 

hojes

amanhã começa a flip, festa literária internacional de paraty,
e a programação tá cheia de autores negros (mulheres e homens), e de escritoras.
bom né.

cada vez mais, acho que a gente se aproxima do 'mundo ideal' de não precisar lembrar de convidar mulheres, lembrar de convidar negros, e, principalmente, de não precisar sempre ter mesas falando sobre as mulheres/negros na literatura, etc.

~

será que dá certo isso de olhar o diário oficial e só fazer um ctrl+f no meu sobrenome, até o dia em que ele aparecer?
obviamente tenho nem coragem. faço isso mas depois olho os dois municípios que podem me chamar pelo concurso.

~
preciso retomar direito os estudos pra o concurso do if, mddscéu.

~
queria melhorar minha escrita funcional, mas tô meio sem norte.

~
minha mãe ainda em brasília e casa ainda muito em silêncio. acostumei. mas faz falta.
e me faz sentir ainda mais falta dos meus avós, que não estão mais vivos. se estivessem, eu estaria lá bem mais vezes por agora.

~
minha sobrinha parece meu irmão mas é linda. muito linda. :)

trabalhos

reli mais uma vez o romance 'helena', de machado de assis, pra um trabalho do doutorado. tive de reler para sinalizar todas as ocorrências de interação direta do narrador com o leitor. machado tem disso em seus romances, de escrever 'conforme você se lembra, leitor', 'calma, leitora amiga, isso acontecerá mais à frente', 'o leitor viu o que aconteceu no capítulo tal', etc.
em helena, particularmente, só tem UMA ocorrência disso. ¬¬

agora vou passar pra esaú e jacó e fazer a mesma busca.
esaú e jacó é até bom, e só li uma vez (helena eu já havia lido duas), mas é um livro mais longo. só sei que, sim, de memória já vejo que tem muito mais interações desse tipo ao longo da narrativa.

~

agora fazendo o trabalho final de outra disciplina, mas que vai servir quase todo ele para o trabalho que vou apresentar no congresso próxima semana.
uma comparação entre dois contos publicados durante a ditadura: 'o pelotão', de sérgio sant'anna; 'o general está pintando', de hermilo borba filho.

ressaca

numa espécie de ressaca existencial depois de um fim de semana com tantas interações sociais. é real isso. a sensação.

mas acho que essa ressaca viria com ou sem as interações.
mas foi existencialmente cansativo, de verdade. está sendo.

há (no sentido de existir, não de tempo decorrido) dias que a sensação é bem essa, um cansaço de estar por aqui, de ter de existir, se fazer presente de alguma forma. é meio cretino dizer isso, mas é uma sensação real, infelizmente. chega até a ser concreta.

sem criação

~acho que se eu escrever vou melhorar ou ficar perto de ficar 'mais bem'

~tão mal que não consegue escrever nem pensar em escrever nem imaginar o que é escrever

agoras

"- Tá bom - eu disse. Era contra meus princípios e tudo, mas eu estava me sentindo tão deprimido que nem pensei. Esse é que é o problema. Quando a gente está se sentindo muito deprimido não consegue nem pensar."


até tenho conseguido tomar decisões importantes que dizem respeito a mim mesma, em isolado, em particular. mas é difícil nesse nível decidir pequenas coisas um dia ou outro, quando uma perturbação vem de fora e com a qual você não contava vir.
tão deprimida que mal consegue pensar.
e na real parece que existe sempre uma provação nessas decisões sobre tomar uma atitude que possa parecer humilhante. é impossível pensar com clareza se o que você está fazendo é ou não humilhante. a dificuldade de pensar também está no senso crítico, no bom senso, no amor-próprio. são três itens praticamente desconhecidos, ou inócuos nesse agora.
decisões ou atitudes que envolvem certa dose de humilhação, mas você não sabe até que ponto de fato envolvem, ou se é tudo uma conspiração sua consigo mesmo. um auto-boicote desses escrotos de fazer todos os dias.

apanha dor

"Quanto mais caro um colégio, mais gente safada tem, no duro."

"As pessoas estão sempre pensando que alguma coisa é totalmente verdadeira. Eu nem ligo, mas tem horas que fico chateado quando alguém vem dizer para me comportar como um rapaz da minha idade. Outras vezes, me comporto como se fosse bem mais velho - no duro - mas aí ninguém repara. Ninguém nunca repara em coisa nenhuma."

"Excelente. Se há uma palavra que eu odeio é essa. Falsa como o quê. Só de ouvir me dá vontade de vomitar."

"Eu nunca gritaria 'boa sorte' para ninguém. Se a gente pensa um pouquinho na coisa, vê que um troço desses soa um bocado mal."

"Bom mesmo é o livro que quando a gente acaba de ler fica querendo ser um grande amigo do autor, para se poder telefonar para ele toda vez que der vontade."

"Isso é outro negócio que me aporrinha um bocado. A gente escrever bem e o sujeito começar a falar em vírgulas."

"Não brinco em serviço quando me preocupo com alguma coisa. Fico até precisando ir ao banheiro. Só que não vou, porque minha preocupação é tão grande que não quero interrompê-la só para ir lá."

"Ele ficava furioso quando era chamado de imbecil. Todos os imbecis detestam ser chamados de imbecis."

"Esse é que é o problema com os imbecis como você. Nunca querem discutir coisa nenhuma. É assim que a gente descobre quem é boçal."

"Ele estava um bocado nervoso. Acho que estava apavorado, com medo que eu tivesse fraturado o crânio ou coisa parecia quando bati com a cabeça no chão. É pena que isso não tenha acontecido."

"De repente, me senti muito só. Quase tive vontade de morrer."

"Puxa, eu me sentia podre. Estava me sentindo tremendamente só."

"Quase todo presente que me dão acaba me deixando triste."

"Olhou para mim e sorriu. Ela tinha um sorriso tremendamente simpático. Verdade. A maioria das pessoas ou não sabem sorrir ou têm um sorriso pavoroso."

"É sempre assim, a gente fala com a mãe de alguém, e a única coisa que elas querem ouvir é como o filho delas é bacana pra chuchu."

"Aí eu comecei a ler um horário de trem que tinha trazido no bolso. Só para parar de mentir. Quando eu começo, posso ficar mentindo horas a fio, se me dá vontade. Sem brincadeira. Horas."

"Odeio dizer coisas quadradas, assim como 'viajando incógnito', mas quando estou com gente burra fico burro também."

"Me deram um quarto muito vagabundo. A única vista que eu tinha era a outra ala do hotel. Não que eu ligasse para isso. Estava deprimido demais para me preocupar se a vista do meu quarto era boa ou não."

"Não se deve brincar com certas pessoas, mesmo que elas mereçam."

"Aí foi embora. O cara da Marinha e eu dissemos que tinha sido um prazer conhecer um ao outro. Esse é um troço que me deixa maluco. Estou sempre dizendo: 'Muito prazer em conhecê-lo' para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas para seguir vivendo."

"De vez em quando, a gente se cansa de andar de táxi, da mesma maneira que se cansa de andar de elevador. De repente, a tente sente que tem de ir a pé, qualquer que seja a distância ou a altura."

"O vestíbulo estava inteiramente deserto, cheirando a cinquenta milhões de cigarros apagados. Eu não estava com sono nem nada, mas estava me sentindo um bocado mal. Deprimido e tudo. Tive vontade de estar morto."

"- Tá bom - eu disse. Era contra meus princípios e tudo, mas eu estava me sentindo tão deprimido que nem pensei. Esse é que é o problema. Quando a gente está se sentindo muito deprimido não consegue nem pensar."

"Magnífico. Se há uma palavra que eu odeie é magnífico. É tão cretina."

"Uma coisa que eu tenho que fazer é ler essa peça. O problema comigo é que sempre tenho de ler esses negócios sozinho, por conta própria. Se vejo um ator representando, mal consigo escutar direito. Fico preocupado, achando que ele vai fazer um troço cretino e falso a qualquer instante."

"Há coisas que deviam ficar do jeito que estão. A gente devia poder enfiá-las num daqueles mostruários enormes de vidro e deixá-las em paz. Sei que isso não é possível, mas é uma pena que não seja."

"Aí comecei a riscar fósforos. Eu faço muito isso, quando estou num certo estado de espírito. Deixo o fósforo queimar até eu não poder mais segurar, e então jogo no cinzeiro. É um tique nervoso."

"- Concordo! Concordo, alguns deles encontram mesmo. Mas eu só encontro isso. Compreendeu? Esse é que é o caso. É exatamente o meu problema. Não encontro praticamente nada em nada. Estou mal de vida. Estou péssimo."

"De qualquer maneira, até que achei bom eles terem inventado a bomba atômica. Se houver outra guerra, vou me sentar bem em cima da droga da bomba. E vou me apresentar como voluntário para fazer isso, juro por Deus que vou."

~
trechos de o apanhador no campo de centeio.
sem o perdão do trocadilho que fiz no título desse post. o bom desse blog hoje praticamente anônimo é que dá pra ser cretina e brega o quanto eu queira.

domingo, 23 de julho de 2017

ontem e hoje

ontem teve o estados de poesia aqui em natal, no bar do zé reeira, e participei duma mesa e em seguida mediei outra.
as duas coisas são desconfortáveis, mas mediar é mais confortável um pouco.

a mesa que mediei era sobre "mulheres na poesia", comigo e mulheres poetas (eu não sou poeta).
não falamos sobre mulher na literatura, mas sobre literatura.
de última hora, uma das convidadas faltou e quem subiu na mesa com a gente era uma não-poeta, mas ficcionista foda.

foi bom. foi interessante. não sei se a galera curtiu, mas a conversa fluiu bem e achei que falamos de coisas relevantes.
por exemplo sobre poesia enquanto política, como atividade mais política que artística,
e sobre talvez estar numa bolha ao fazer poesia dessa maneira,
sobre literatura e ensino,
sobre a ditadura (uma das poetas estudava ciências sociais na década de 70, e foi/é membro de organizações importantes relacionadas à anistia e comissão da verdade),
sobre literatura militante,
principais influências,
e uma pergunta que gostei mesmo de fazer: sobre as produções das quais elas sentiam orgulho.

sempre tem a pergunta de "o que você escreveu que se envergonha, algum primeiro livro ou primeiros poemas, etc". melhor saber do que a pessoa se orgulha.

foi bom.

~

ontem de manhã consegui treinar sanda as 11h, mesmo tendo saído na sexta à noite e voltado bem tarde. me senti jovem e com 100 anos pela frente, obg.
hoje, domingo, teve treino na praia e quase faltei, por motivos de insônia pesada e noite difícil por aqui,
mas fui sem muita expectativa e foi bom. :) ficar perto do mar é bom, treinar na natureza é bom também, brega mas bom. a energia é diferente, e o dia fica com essa energia diferente também.

~

lembrar de meditar.
coisa que me dá um leve orgulho: ser decidida.

não resolve puramente as coisas,
nem faz melhorar, muitas vezes,
mas num longo prazo parece ter sido o mais importante. parece estar sendo o mais importante.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

decisões importantes pra quem tem autoestima nenhuma ou abaixo de zero

sair do facebook
sair do instagram

ler bastante.

~

me convidaram pra participar de duas mesas num evento literário no próximo sábado. vai ser um negócio bem informal, num bar e tudo mais, mas essas situações me deixam 200% ansiosa. e meus picos de ansiedade têm se diversificado cada vez mais. no momento agora, eu sinto como se o corpo estivesse queimando por dentro; e é muito real a sensação.

~
isso lembra que tô com o psiquiatra marcado mas não quero de jeito nenhum ir.
acho que dá pra levar com a terapia, acho mesmo. mas às vezes bate o medo duma queda brusca.

da semana passada pra cá,
consegui, aparentemente, reverter a percepção de coisas-grandes, grandes-importantes nesse agora. mas ainda é tudo exercício. sem muita definição.

mas acho que o psiquiatra eu vou desistir por ora.

~
terminei "o apanhador no campo de centeio". tive, ao final, a mesma sensação de quando o li dez anos atrás: uma tristeza profunda mas ao mesmo tempo um sentimento de pertencimento no mundo. um certo conforto.
um abraço confuso mas bom.
levei-o pra terapia e conversei um pouco sobre. esse livro é importante em vários níveis. na minha vida também, em vários níveis.

terminando de ler "o estandarte da agonia", de heloneida studart. até agora o que mais gostei dela. bastante bom.
na sequência vou ler outro dela, um que teve problemas com a censura na época da ditadura: "deus não paga em dólar".

~
mês que vem tenho viagem pra congresso, no rio, congresso de literatura comparada.
acho que vai ser um congresso muitíssimo bom, tenho expectativas acadêmicas altas pra ele. porém nesse momento de ciclo interminável, confuso e claudicante, é difícil querer viajar. é difícil sair de casa para ene situações, avalie viajar. parece que potencializa o desconforto, pelo fato de você estar longe.
mas vamos.
minha mãe e meu irmão decidiram implicar com o fato de eu vou ficar em niterói, na casa de uma amiga, e não em um hotel próximo.
mas eu não quero ficar sozinha. não quero nem um pouco. podia ser o melhor hotel do mundo do lado da universidade, me dado de graça, eu sinceramente ia preferir estar distante mas com alguém.

~
há vários dias sozinha por aqui. até que tá ok, me acostumei ao silêncio e à quietude. mas não quero repetir isso numa cidade que não é a minha.

~
minha sobrinha nasceu sábado! <3 4="" :="" beleza.="" cheia="" de="" e="" p="" sa="">
~
vou tentar meditar agora. corpo e cabeça seguem ansiosos. 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

hojes

meu notebook segue no conserto.
usando o desktop da casa, no mês em que estou sozinha em casa,
a rotina já tá estranha só por isso. sério.

mais que a tv saiu do ar desde sexta-feira, por motivos de chuva, e a claro tv diz que não tem o que fazer, por motivos de chuva. que eu espere de braço cruzado mesmo que a chuva dure três anos.
nunca assisto tv, mas num mês sozinha em casa barulho faz falta. a função da tv seria essa.

~
tá sendo foda reler o apanhador no campo de centeio.
eu dei esse livro ao meu irmão há uns anos atrás, de presente, e ele respondeu que não gostou, achou bobo, "silly". recentemente descobri que ele sequer leu o livro inteiro. recentemente ele começou a reler o livro - por causa da minha indignação com essa opinião dele, que perdurou no tempo. (a indignação perdurou. a opinião dele também. perduraram, no caso.)

tem uma passagem no livro que o personagem, holden, comenta que livro bom é aquele que a gente termina e fica com vontade de ser amigo do autor, de poder ligar pra ele, fazer um telefonema, etc, quando termina de ler o livro.
livro bom, pra mim, é quando você tem uma necessidade real de ser amigo do personagem, de conversar um pouco, de dizer que se vê muito nele, e mais.

uma pena que o livro acaba "logo".

~

papai veio aqui hoje e trouxe presentes.
volta e meia ele encontra um material literário que não é livro que ele acha que me interessa. um jornal antigo com uma matéria interessante, ou entrevista, ou revistas literárias. dia desses chegou com um cd de poemas de machado de assis. trouxe embrulhado num envelope amarelo pardo, me entregou como se estivesse me dando seu testamento.
meio cheio das cerimônias.

hoje me trouxe uma revista com vinte contos latino-americanos. chama "status". custou vinte cruzeiros. mas não tem o ano de publicação dela.
na revista, tem contos de alejo carpentier, juan rulfo, josé revueltas, juan josé arreola, carlos fuentes, augusto céspedes, josé j. veiga, rubem fonseca, sérgio sant'anna, ricardo ramos, dalton trevisan, roberto drummon, nélida piñon, eduardo galeano, juan carlos onetti, vargas llosa, augusto r. bastos, julio cortazar, jorge luis borges, adolfo bioy cesares.

também trouxe uma revista editada pelo sesc em 1995 sobre os poetas da geração de 45/50.
e uma revista literária portuguesa, com textos de gentes como afonso cruz, filipa leal, ignacio del valle, joão de melo, etc. (só conheço afonso cruz da revista inteira. que é bom, bem bom.)

papai também ficou recitando soneto de augusto dos anjos. comprei uma edição da l&pm pocket, "todos os sonetos", essa semana no sebo. foi cinco reais.
e ele disse um "que beleza" pro meu box do salinger que também encontrei no sebo.

~

estudando história por motivos de doutorado. tentando, no caso. negócio que me impressiona, fora de brincadeira, é alguém conseguir saber história de verdade. cada capítulo são muitas informações, muitos detalhes, e informações/detalhes complexos demais. é difícil entender história porque, na minha percepção, é preciso um excesso de memória.

tá me levando um tempo demorado ler capítulos sobre a ditadura.
aliás eu tenho estudado muito demoradamente. essas baixas no ciclo e essas enxaquecas ou coisas parecidas têm um efeito meio prolongado, de se irem pelos dias.
tenho que inventar um fôlego. minha vida só tem sentido no estudo, por enquanto.

sábado, 8 de julho de 2017

~

um estágio depressivo em que você fica puto quando dá vontade de ir ao banheiro e você precisa sair da cama por causa disso.
segura ao máximo.

~

2017 tá sendo bem traumático.
o que me dá uma tristeza por me fazer pensar no meu despreparo emocional para coisas teoricamente simples. teoricamente simples.

~

terminei marcando o psiquiatra. mas ele tá de recesso e vai levar alguns dias até a consulta. até lá vejo se vou mesmo.
a psicóloga sugeriu por duas sessões seguidas, então vamos ver.

~

a minha autoestima antes era baixa aí ficou a zero aí ficou negativa aí não sei se recupera mais.

~

dois "compromissos" sociais no mesmo dia,
ainda pensando se vou aos dois por motivo de evitar a fadiga emocional da interação social.
é difícil antecipar quando interagir vai ser melhor e quando vai ser pior.

passei um café pra decidir mas não tive sucesso nisso (de decidir, porque o café ficou bom).

~

tv saiu do ar e há dias anunciam possível tempestade em natal, que nunca vem.

espero que venha sol durante a semana,
mais banho de mar.
mais.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

no caso

amanheceu sol hoje e deu pra ir na feira e deu pra ir na praia, pra um mergulho e depois água de coco.
tava um dia bonito real. meio plácido e meio parado. a cor da água levemente prateada, antes das nove da manhã.

foi bom.

~

negócio que sigo sem entender é a real necessidade da mentira "não estou em um bom momento pra isso agora etc" e pouco tempo depois a pessoa aparece de boas em um relacionamento. vejo isso acontecer direto. tão direto.
dói menos dizer a verdade duma vez. mentir assim num antes faz doer uma vez e uma próxima, mais à frente. com mágoa, ainda por cima.

~
acho que as meninas vão vir aqui mais tarde comer pizza e falar tudos e nadas.
tô dum jeito que é um grande tanto faz ser semana ou fim de semana, sair ou não sair, sair e beber ou sair e ficar sóbria. segue tudo meio sem sentido, e meio sem disposição emocional pra esse tudo.
parece que estou num tempo em suspenso, uma letargia que não acompanha nada nem ninguém. o mundo avança e eu fico. ou nem isso.

~
quase terminando "as meninas". sigo impressionada com o romance.

"O chato é que quando leio um livro sobre doenças mentais, descubro em mim os sintomas de quase todas."

"Tem que sofrer, merda. Beber querosene e gasolina porque é assim que se firma uma estrutura, penso."

"Lorena também faz o gênero concha mas gosta de ar."


que imagem. faz o gênero concha mas gosta de ar. ~

quinta-feira, 6 de julho de 2017

há vários dias sem meditar.

fico pensando

que as decisões peremptórias ao longo do processo depressivo acontecem não quando não se sente coisas boas no presente,
mas quando se tem a certeza de que nunca haverá de sentir coisas boas novamente, num futuro.
não é bem o que se sente no presente, mas o que consegue esperar quanto ao futuro.

~
amanhã tem consulta com psicóloga de novo. a segunda da semana.

tenho chegado à conclusão de que eu na terapia sou o esforço contínuo de racionalizar e provar para um outro o quão estou certa sobre ideias erradas que tenho sobre mim mesma.
é um boicote risível.
não faz o menor sentido.

há um tempo atrás minha terapeuta me confessou que ficava tensa antes da minha sessão.
não sei se isso ainda permanece.

~

fato bom dos últimos dias foi que depois de ter empreendido busca pelo "apanhador no campo de centeio", pra relê-lo, encontrei hoje no sebo do mercado petrópolis um box do salinger. com esse livro e mais dois. me saiu por 50 reais. eu não vou ler os outros dois agora nem tão cedo, mas achei bom negócio. fiquei feliz com o achado - que inclusive tinha chegado há poucos dias ao sebo, a senhora me disse.

tem umas coincidências que me encorajam a interpretá-las como bons sinais, bom presságio, etc.
quem sabe essa foi uma.

~
vou tentar terminar "as meninas" hoje e passar pro próximo livro da heloneida, que, sim, chegou via correio,
e ler o salinger ao mesmo tempo.

eu li o apanhador durante a adolescência e lembro que me modificou brutalmente, de um jeito que não sei muito bem explicar. talvez eu tenha me visto muito no personagem e talvez eu tenha lido muitas descrições sobre coisas que sentia e pensava na época, e que ainda devo pensar e sentir igual,
e isso foi em certa medida revolucionário naquele instante.
como se eu tivesse identificado melhor um lugar meu no mundo, um lugar deslocado, difícil, mas um lugar.
é um livro muito despretensioso, pelo que me lembro,
e talvez por isso gigante no significado.

espero que seja bom relê-lo.

~

mainha viajou para brasília sem data de volta.
parece ser fundamental a solidão nesse momento do ano e da vida,
mas torna tudo mais difícil também.
importante e difícil.

tem dias que

só eu sei o esforço que se precisa
pra continuar existindo. pra tentar ficar bem.

~
a psicóloga tangenciou um possível retorno à medicação e eu comentei que meu termômetro era o parar de se levantar da cama pra tomar banho. não cheguei lá e espero não chegar.
mas tem dias que sinto uma exaustão emocional tão absurda que começo a achar que talvez essa seja uma boa ideia.
é péssimo psicotrópico,
é péssimo ter que falar de sintomas e causas de sintomas a uma nova pessoa que não sei sinceramente até que ponto se importa com esses sintomas (preconceito que tenho de psiquiatra),
mas talvez.

talvez.

~
tem dias que tudo tem significado nenhum.

terça-feira, 4 de julho de 2017

ontem hoje

numas mais de 48 horas sem usar whatsapp ou internet no celular.
já tinha "fechado" o instagram novamente,
e agora essa evitação.

numa tentativa meio que última de tentar manter alguma sanidade, de tentar sentir menos ansiedade e menos humor deprimido.

tem dias que
é muito sem significado continuar por aqui. mesmo que isso soe covarde de se dizer, obsceno em algum sentido, inclusive. errado.
mas tem dias que dá pra desligar algumas ideias e pesares e ficar por aqui confiando num algo.
oscila.
e se fechar em conchas às vezes é meio infantil mas brandamente necessário.

~

brandamente, aliás, é um advérbio que gosto.
brando, eu gosto.
brandura, também.

~

acho que amanhã ligo o whats. acho que amanhã tento tudo de novo.
antecipei a consulta com a psicóloga.

~

segunda-feira, 3 de julho de 2017

as meninas

- Rodei este ano. Faltas. Tranquei a matrícula. 
- Muito bem, muito bem. E o livro? Disseram-me que tem um livro quase pronto. Segundo a informação, trata-se de um romance, não?
- Rasguei tudo, entende - disse ela soprando a fumaça na minha cara. - O mar de livros inúteis já transbordou. Ora, ficção. Quem é que está se importando com isso. 

~

Morre de pena de todo mundo. Vai ver, morreu também de pena de mim quando disse que rasguei tudo. Não é uma forma de esconder seu sentimento de superioridade? Ter pena dos outros não ´pe se sentir superior a esses outros? 

~

Mas por que minha cabeça tem que ser minha inimiga pomba. Só penso pensamento que me faz sofrer. Por que esta droga de cabeça tem tanto ódio de mim?

~

- Com você foi tudo alegre. Rico. Mas quando, pomba. Quero só o presente entrando no futuro-mais-que-perfeito, existe futuro-mais-que-perfeito? Se pudesse lavar por dentro minha cabeça. Com escova. Esfregar esfregar até sair sangue. 

~

Levo para a cama minha caixa com petrechos de unhas, tenho esta caixa sempre ao alcance. Assim que intuo as conversas líquidas e incertas, vou pegando minha lixa e tesourinha para não perder tempo. Com isso, minhas unhas andam tratadíssimas. 

~

- Não ficou mais quente? Reaprender a sorrir, Pedro. Reaprender a aguçar os punhais. E nitidez, nada de fumaças. Não faça o piedoso nem o sentimento porque aí você pode ferir muito mais. Afirmação. 

~

Puxo o cabelo de Pedro que está saindo da depressão com uma rapidez que me assusta. 

~

Abro a porta do edifício e uma rajada de chuva e vento me bate na cara, a chuva vem em rajadas. Rajada não é uma palavra boa mas de trás pra diante: adajar? Rosa levou uma adajar no peito fica menos grave. Corro até a esquina, chegamos juntos, Bugre e eu. O carro é da cor da noite. 




(trechos de "as meninas", romance de lygia fagundes telles)
elegi como momento crítico do ciclo depressivo só quando eu paro de tomar banho mesmo
até lá enquanto eu seguir viciada em banho e em sabonete jômsom pra mim tá tudo sob controle


ou quase

domingo, 2 de julho de 2017

link

how to narrate your life story ~ https://www.youtube.com/watch?v=Brpk26Oq4aE


até que ajuda, sim.
um amigo passou.
meu notebook quebrou; foi pro conserto,
minha mãe me emprestou o dela, a tecla "s" quebrou, então não dá pra usar plenamente,
no momento usando o desktop da casa com certo medo.

~
a enxaqueca foi embora depois de quase uma semana aqui.
foi uma crise punk real.

~
aparentemente desenvolvi ~~resistência~~ ao chá de camomila. agora só drogas mais pesadas pra dormir.

~
acho que vou dormir no quarto da minha mãe hoje.

<3 p="">
decisões que parecem simples mas que abrem buracos muito grandes, dores muito fortes.

~
já falei outra vez, mas repito porque repete,
o momento mais punk do ciclo depressivo é o dos dias em que existe uma certeza peremptória de que você nunca vai sentir felicidade de novo. uma exatidão de esperança nenhuma.
é de não se dar sequer vontade de morrer, porque a sensação é de que você não tá existindo mais, em lugar nenhum, ou de que o mundo não tá existindo mais.