segunda-feira, 24 de julho de 2017

apanha dor

"Quanto mais caro um colégio, mais gente safada tem, no duro."

"As pessoas estão sempre pensando que alguma coisa é totalmente verdadeira. Eu nem ligo, mas tem horas que fico chateado quando alguém vem dizer para me comportar como um rapaz da minha idade. Outras vezes, me comporto como se fosse bem mais velho - no duro - mas aí ninguém repara. Ninguém nunca repara em coisa nenhuma."

"Excelente. Se há uma palavra que eu odeio é essa. Falsa como o quê. Só de ouvir me dá vontade de vomitar."

"Eu nunca gritaria 'boa sorte' para ninguém. Se a gente pensa um pouquinho na coisa, vê que um troço desses soa um bocado mal."

"Bom mesmo é o livro que quando a gente acaba de ler fica querendo ser um grande amigo do autor, para se poder telefonar para ele toda vez que der vontade."

"Isso é outro negócio que me aporrinha um bocado. A gente escrever bem e o sujeito começar a falar em vírgulas."

"Não brinco em serviço quando me preocupo com alguma coisa. Fico até precisando ir ao banheiro. Só que não vou, porque minha preocupação é tão grande que não quero interrompê-la só para ir lá."

"Ele ficava furioso quando era chamado de imbecil. Todos os imbecis detestam ser chamados de imbecis."

"Esse é que é o problema com os imbecis como você. Nunca querem discutir coisa nenhuma. É assim que a gente descobre quem é boçal."

"Ele estava um bocado nervoso. Acho que estava apavorado, com medo que eu tivesse fraturado o crânio ou coisa parecia quando bati com a cabeça no chão. É pena que isso não tenha acontecido."

"De repente, me senti muito só. Quase tive vontade de morrer."

"Puxa, eu me sentia podre. Estava me sentindo tremendamente só."

"Quase todo presente que me dão acaba me deixando triste."

"Olhou para mim e sorriu. Ela tinha um sorriso tremendamente simpático. Verdade. A maioria das pessoas ou não sabem sorrir ou têm um sorriso pavoroso."

"É sempre assim, a gente fala com a mãe de alguém, e a única coisa que elas querem ouvir é como o filho delas é bacana pra chuchu."

"Aí eu comecei a ler um horário de trem que tinha trazido no bolso. Só para parar de mentir. Quando eu começo, posso ficar mentindo horas a fio, se me dá vontade. Sem brincadeira. Horas."

"Odeio dizer coisas quadradas, assim como 'viajando incógnito', mas quando estou com gente burra fico burro também."

"Me deram um quarto muito vagabundo. A única vista que eu tinha era a outra ala do hotel. Não que eu ligasse para isso. Estava deprimido demais para me preocupar se a vista do meu quarto era boa ou não."

"Não se deve brincar com certas pessoas, mesmo que elas mereçam."

"Aí foi embora. O cara da Marinha e eu dissemos que tinha sido um prazer conhecer um ao outro. Esse é um troço que me deixa maluco. Estou sempre dizendo: 'Muito prazer em conhecê-lo' para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas para seguir vivendo."

"De vez em quando, a gente se cansa de andar de táxi, da mesma maneira que se cansa de andar de elevador. De repente, a tente sente que tem de ir a pé, qualquer que seja a distância ou a altura."

"O vestíbulo estava inteiramente deserto, cheirando a cinquenta milhões de cigarros apagados. Eu não estava com sono nem nada, mas estava me sentindo um bocado mal. Deprimido e tudo. Tive vontade de estar morto."

"- Tá bom - eu disse. Era contra meus princípios e tudo, mas eu estava me sentindo tão deprimido que nem pensei. Esse é que é o problema. Quando a gente está se sentindo muito deprimido não consegue nem pensar."

"Magnífico. Se há uma palavra que eu odeie é magnífico. É tão cretina."

"Uma coisa que eu tenho que fazer é ler essa peça. O problema comigo é que sempre tenho de ler esses negócios sozinho, por conta própria. Se vejo um ator representando, mal consigo escutar direito. Fico preocupado, achando que ele vai fazer um troço cretino e falso a qualquer instante."

"Há coisas que deviam ficar do jeito que estão. A gente devia poder enfiá-las num daqueles mostruários enormes de vidro e deixá-las em paz. Sei que isso não é possível, mas é uma pena que não seja."

"Aí comecei a riscar fósforos. Eu faço muito isso, quando estou num certo estado de espírito. Deixo o fósforo queimar até eu não poder mais segurar, e então jogo no cinzeiro. É um tique nervoso."

"- Concordo! Concordo, alguns deles encontram mesmo. Mas eu só encontro isso. Compreendeu? Esse é que é o caso. É exatamente o meu problema. Não encontro praticamente nada em nada. Estou mal de vida. Estou péssimo."

"De qualquer maneira, até que achei bom eles terem inventado a bomba atômica. Se houver outra guerra, vou me sentar bem em cima da droga da bomba. E vou me apresentar como voluntário para fazer isso, juro por Deus que vou."

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trechos de o apanhador no campo de centeio.
sem o perdão do trocadilho que fiz no título desse post. o bom desse blog hoje praticamente anônimo é que dá pra ser cretina e brega o quanto eu queira.

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