quinta-feira, 6 de julho de 2017

fico pensando

que as decisões peremptórias ao longo do processo depressivo acontecem não quando não se sente coisas boas no presente,
mas quando se tem a certeza de que nunca haverá de sentir coisas boas novamente, num futuro.
não é bem o que se sente no presente, mas o que consegue esperar quanto ao futuro.

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amanhã tem consulta com psicóloga de novo. a segunda da semana.

tenho chegado à conclusão de que eu na terapia sou o esforço contínuo de racionalizar e provar para um outro o quão estou certa sobre ideias erradas que tenho sobre mim mesma.
é um boicote risível.
não faz o menor sentido.

há um tempo atrás minha terapeuta me confessou que ficava tensa antes da minha sessão.
não sei se isso ainda permanece.

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fato bom dos últimos dias foi que depois de ter empreendido busca pelo "apanhador no campo de centeio", pra relê-lo, encontrei hoje no sebo do mercado petrópolis um box do salinger. com esse livro e mais dois. me saiu por 50 reais. eu não vou ler os outros dois agora nem tão cedo, mas achei bom negócio. fiquei feliz com o achado - que inclusive tinha chegado há poucos dias ao sebo, a senhora me disse.

tem umas coincidências que me encorajam a interpretá-las como bons sinais, bom presságio, etc.
quem sabe essa foi uma.

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vou tentar terminar "as meninas" hoje e passar pro próximo livro da heloneida, que, sim, chegou via correio,
e ler o salinger ao mesmo tempo.

eu li o apanhador durante a adolescência e lembro que me modificou brutalmente, de um jeito que não sei muito bem explicar. talvez eu tenha me visto muito no personagem e talvez eu tenha lido muitas descrições sobre coisas que sentia e pensava na época, e que ainda devo pensar e sentir igual,
e isso foi em certa medida revolucionário naquele instante.
como se eu tivesse identificado melhor um lugar meu no mundo, um lugar deslocado, difícil, mas um lugar.
é um livro muito despretensioso, pelo que me lembro,
e talvez por isso gigante no significado.

espero que seja bom relê-lo.

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mainha viajou para brasília sem data de volta.
parece ser fundamental a solidão nesse momento do ano e da vida,
mas torna tudo mais difícil também.
importante e difícil.

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