segunda-feira, 10 de julho de 2017

hojes

meu notebook segue no conserto.
usando o desktop da casa, no mês em que estou sozinha em casa,
a rotina já tá estranha só por isso. sério.

mais que a tv saiu do ar desde sexta-feira, por motivos de chuva, e a claro tv diz que não tem o que fazer, por motivos de chuva. que eu espere de braço cruzado mesmo que a chuva dure três anos.
nunca assisto tv, mas num mês sozinha em casa barulho faz falta. a função da tv seria essa.

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tá sendo foda reler o apanhador no campo de centeio.
eu dei esse livro ao meu irmão há uns anos atrás, de presente, e ele respondeu que não gostou, achou bobo, "silly". recentemente descobri que ele sequer leu o livro inteiro. recentemente ele começou a reler o livro - por causa da minha indignação com essa opinião dele, que perdurou no tempo. (a indignação perdurou. a opinião dele também. perduraram, no caso.)

tem uma passagem no livro que o personagem, holden, comenta que livro bom é aquele que a gente termina e fica com vontade de ser amigo do autor, de poder ligar pra ele, fazer um telefonema, etc, quando termina de ler o livro.
livro bom, pra mim, é quando você tem uma necessidade real de ser amigo do personagem, de conversar um pouco, de dizer que se vê muito nele, e mais.

uma pena que o livro acaba "logo".

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papai veio aqui hoje e trouxe presentes.
volta e meia ele encontra um material literário que não é livro que ele acha que me interessa. um jornal antigo com uma matéria interessante, ou entrevista, ou revistas literárias. dia desses chegou com um cd de poemas de machado de assis. trouxe embrulhado num envelope amarelo pardo, me entregou como se estivesse me dando seu testamento.
meio cheio das cerimônias.

hoje me trouxe uma revista com vinte contos latino-americanos. chama "status". custou vinte cruzeiros. mas não tem o ano de publicação dela.
na revista, tem contos de alejo carpentier, juan rulfo, josé revueltas, juan josé arreola, carlos fuentes, augusto céspedes, josé j. veiga, rubem fonseca, sérgio sant'anna, ricardo ramos, dalton trevisan, roberto drummon, nélida piñon, eduardo galeano, juan carlos onetti, vargas llosa, augusto r. bastos, julio cortazar, jorge luis borges, adolfo bioy cesares.

também trouxe uma revista editada pelo sesc em 1995 sobre os poetas da geração de 45/50.
e uma revista literária portuguesa, com textos de gentes como afonso cruz, filipa leal, ignacio del valle, joão de melo, etc. (só conheço afonso cruz da revista inteira. que é bom, bem bom.)

papai também ficou recitando soneto de augusto dos anjos. comprei uma edição da l&pm pocket, "todos os sonetos", essa semana no sebo. foi cinco reais.
e ele disse um "que beleza" pro meu box do salinger que também encontrei no sebo.

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estudando história por motivos de doutorado. tentando, no caso. negócio que me impressiona, fora de brincadeira, é alguém conseguir saber história de verdade. cada capítulo são muitas informações, muitos detalhes, e informações/detalhes complexos demais. é difícil entender história porque, na minha percepção, é preciso um excesso de memória.

tá me levando um tempo demorado ler capítulos sobre a ditadura.
aliás eu tenho estudado muito demoradamente. essas baixas no ciclo e essas enxaquecas ou coisas parecidas têm um efeito meio prolongado, de se irem pelos dias.
tenho que inventar um fôlego. minha vida só tem sentido no estudo, por enquanto.

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